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08 dezembro 2010

Os contos de fadas no século XXI

Irmãos Grimm
Quando crianças muitos de nós nos divertimos com os contos de fadas, estas histórias fazem parte de nossas lembranças afetivas, mas qual será o motivo da longevidade destes tipos de histórias, que sobrevivem e encantam os pequenos até hoje em diferentes tipos de mídias? Os contos de fadas narram aventuras, que mostram o enfretamento do bem contra o mal, onde o herói tem sempre uma missão a cumprir e estão carregados de simbologias, que representam também nossos medos e escolhas, e por terem sempre como cenários um tempo e local imemorial e maravilhoso, servem às vezes de escape a nossa dura realidade.
Os contos de fadas têm origens nas tradições e mitos Celtas e foram transmitidos oralmente gerações após gerações até o século XVII, quando começaram a serem transcritos pelos irmãos Grimm, entre outros, e adaptados as novas realidades sociais, se espalhando pelo mundo principalmente no ocidente, chegando aos nossos dias com plena significância e vigor.
Em meados do século XX, vários autores começaram a fazer uma releitura destes contos, criando contos de fadas modernos, que continuam mantendo em sua essência estes enfrentamentos (o bem contra o mal) e seus símbolos e preenchendo a necessidade do ser humano, principalmente das crianças, de compreender e lidar com suas angustias e buscas.
Mas mesmo mantendo como base os valores morais dos antigos contos de fadas, os contos de fadas modernos se dão a liberdade de trabalhar com arquétipos mais contemporâneos, ainda que mantenham as características de mocinhos e vilões.
Outra característica dos contos de fadas, é que se no passado, estes contos nos levavam a reflexões sobre o bem comum, os contos de fadas modernos nos levam a refletir também sobre a importância da individualidade. Outra característica é que geralmente as crianças têm o primeiro contato com a literatura mais elaborada através destes contos.
Os contos de fadas fazem parte de nossa herança coletiva, e nos mostram valores compartilhados por todos os seres humanos, assim podemos afirmar que os contos de fadas irão se perpetuar no imaginário popular, se adaptando a convenções sociais e diferentes mídias de cada tempo, mas sempre mantendo seu encantamento que perdura ao longo dos séculos.

Fonte: Literatura na Formação do Leitor - Volume2 -CAPELLO, Cláudia.  Rio de Janeiro - Fundação CECIERJ, 2010

09 novembro 2010

A Menina que odiava livros – Manjusha Pawagi

Uma boa dica de leitura para a criançada é o livro “A Menina que odiava livros”, escrito por Manjusha Pawagi que nasceu na Índia, mas foi criada no Canadá. O livro já foi publicado em diversos países e foi transformado em um desenho animado. O livro conta a história de uma garota, Meena, que não suportava livros, mas que não conseguia ficar longe dos mesmos já que na sua casa eles estavam em todas as partes: nas gavetas, nos armários, nas mesas, nas cadeiras, nos guarda-roupas, enfim em todos os lugares da casa, inclusive no banheiro! Os pais da menina adoravam livros e ela odiava todos eles. Um dia Max, o gato de estimação da garota derruba uma pilha de livros infantis e das páginas abertas começam a emergir os personagens destas obras que causam uma grande confusão, levando a garota a viajar no incrível mundo da literatura.
O livro é a primeira obra da escritora, que é formada em direito e atua em uma ONG de proteção a crianças em Toronto, no Canadá. Em vários países este livro é recomendado para incentivar leitura nos primeiros anos do ensino fundamental.
O livro “A Menina que odiava livros” já foi traduzido para 11 idiomas, inclusive o português, e com certeza é um livro que agrada as crianças e também aos adultos.


15 junho 2010

Waldkindergarten - Jardim de Infância na Floresta


Você já ouviu falar das waldkindergarten? Não? Trata-se da nova modalidade em educação Infantil adotada em alguns países Europeus, principalmente nos países escandinavos e na Alemanha. Nesta nova modalidade de educação as crianças são levadas para uma floresta, onde em uma “mesa” improvisada o professor aplica nas crianças o mesmo currículo das escolas tradicionais. Isto cinco vezes por semana com aulas que duram até 6 horas independentes das condições climáticas, inclusive com neve. As Waldkindergarten, literalmente jardim de infância na floresta, são freqüentadas por crianças de três a seis anos e suas metodologias se baseiam em estudos da Universidade de Freiburg (Suíça) que afirmam que crianças educadas nas florestas têm mais criatividade e concentração e são mais espertas, uma duvida é se a criança exposta ao mal tempo não adoeceria, vejamos a opinião de Mills Andrea, professora e mãe de uma criança matriculada em uma waldkindergarten alemã:

"Não existe essa coisa de mau tempo, apenas roupas ruins. Apesar do medo dos pais de que as exposições ao mau tempo adoeçam as crianças, a nossa experiência foi que as crianças - inclusive o meu filho - que regularmente passaram um tempo ao ar livre (devidamente equipados) ficaram mais saudáveis do que aqueles mantidos em ambientes fechados, apesar das temperaturas no inverno com média em torno de zero”.

Outras vantagens apresentadas seriam que as crianças desafiariam o seus limites e estariam em contato com a natureza, e os professores juram que os aluninhos adoram, além de fazerem exercícios físicos já que as crianças caminhariam até dois quilômetros para chegar a “escola” (floresta), além da aprendizagem convencional em um ambiente ao ar livre. Segundo Schaffer, professor de uma waldkindergarten alemã:

"Nós descobrimos que é possível estabelecer um equilíbrio entre o aprendizado acadêmico e o (aprendizado) baseado na natureza".

Logicamente uma escola montada nestes moldes, que se convencionou a chamar de “escola-natureza”, exige do profissional algumas condições especiais, como listadas abaixo:
-Vários anos de experiência profissional.
-Gostar de contato com a natureza.
-Ter conhecimentos sólidos em primeiros socorros.
-Ter condições físicas para suportar condições meteorológicas extremas.
-Vontade de experimentar novas formas de ensinar.
-Ser flexível, estar preparado para alterações do programa.
-Conhecer sobre os perigos da floresta, tais como plantas e animais venenosos.
-Querer trabalhar em equipe.

Outra preocupação é com a escolha da floresta onde se irão desenvolver as atividades, tendo sempre em mente a segurança das crianças, que deverão preencher os requisitos abaixo:
-Curta distância entre a escola e a floresta.
-Ampla faixa de floresta com árvores diferentes (espécies, tamanhos)
-Possibilidade de montar uma pequena estrutura, mesa, barraca, etc.
-Possibilidade de criação de uma pequena fogueira.
-Obstáculos para subir (árvores mortas, barrancos, etc.)
-Acesso a água.

Pesquisando na internet as fotos das “waldkindergarten” que achei mostram “florestas” de primeiro mundo, limpinhas, com arvores coníferas e com o chão com uma relva que parece até que foi aparada... O difícil deve ser convencer as crianças a irem à escola no inverno, já que nestes países a temperatura chega abaixo de zero praticamente o inverno todo.

10 junho 2010