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06 outubro 2010

O consumo de carne e o meio ambiente

Atualmente vivemos um grande paradoxo na produção de alimentos, 70% das terras usadas na agricultura no mundo estão sendo usadas para o plantio de cereais, e mesmo assim ainda existem milhões de pessoas famintas no planeta. Isto pode parecer estranho, mas existem várias explicações e uma delas é que nem todos estes cereais estão sendo cultivados para o consumo humano, bem, pelo menos não diretamente. Já que um terço destes grãos está sendo usado para a alimentação de animais que serão consumidos pelos humanos, no passado o consumo de carne estava ligado à criação caseira, mas depois da segunda guerra mundial este cenário mudou, foram introduzidos a criação mecanizada e em massa destes animais assim o consumo de carne explodiu no mundo, em menos de um século este consumo foi multiplicado por três!  e para abastecer este mercado os grandes produtores precisam de muita terra e muita água, além de usarem sementes transgênicas e outros aditivos químicos com intuito de aumentar a produção destes grãos. Na área e tempo necessário para se produzir 1 kg de carne, produziríamos 200 kg de tomates, 160 kg de batatas, 120 kg de cenouras e 80 kg de maças. Por isso podemos afirmar que a carne é um alimento pouco solidário, já que enquanto poderíamos estar alimentando sete seres humanos com o uso de determinada pedaço de terra  estamos alimentado somente um! Só para se ter idéia, para se produzir um quilo de carne são necessários de 7 a 16 kg de soja. Além disto, o consumo exagerado de carne, principalmente a “vermelha”  podem causar danos a saúde do homem, pois favorecem ao aumento do colesterol, favorece a obesidade e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Outro perigo apresentado é a influência negativa deste grande consumo sobre o meio ambiente, pois todos os anos milhares de hectares de florestas são derrubados para a produção de grãos ou para a criação intensiva de gado, principalmente nos países ditos de terceiro mundo,  incluindo o Brasil. Existe também o risco de contaminação do solo e dos aqüíferos pelo excesso de pesticidas e herbicidas usados nestas plantações.
Hoje em dia temos a consciência que a água não é um recurso infinito, e que se não cuidarmos dos mananciais e do consumo, em breve poderemos ter a escassez deste recurso. Neste quesito consumo de água, a carne é uma grande vilã, pois se para produzirmos 1 kg de batatas gastamos 900 litros de água, para produzirmos 1 kg de carne consumimos 15.000 litros de água! Para completar, a produção de 1 kg de carne contribui para o efeito estufa tanto quanto fazermos uma viagem de carro de 220 km.Os países campeões no consumo per capita de carne são: Dinamarca com 145 Kg/ano, Nova Zelândia com 142,1 Kg/ano e Estados unidos com 124,8 Kg/ano e os entre os que menos consomem estão os africanos: Serra leoa com 6,1 kg/ano, Moçambique 5,6 kg/ano e Burundi com 3,5 Kg/ano,  o Brasil ocupa uma posição intermediária com 36,6 kg/ano por pessoa.
Logicamente não estamos pregando a abstinência, mas pregamos o consumo consciente e moderado de carne e seus derivados para que no futuro, se quisermos a sobrevivência da humanidade, não tenhamos que ser forçados a virar vegetarianos.

De certa feita o eminente agrônomo René Dumont, teria dito:
       "A sociedade ocidental, com seu excesso de consumo de carne e da sua falta de generosidade para com os pobres, se comporta como um canibal, um canibal indireto: come a carne, e desperdiçar os recursos de cereais, que poderiam ter salvado todas as pessoas que sofrem de fome". 
René Dumont foi escritor e Eng.º Agrônomo e teve papel fundamental na crítica as políticas de desenvolvimento e meio ambiente no pós-guerra. Era conhecido como o "agrônomo da fome", líder da luta contra a exploração predatória dos recursos naturais e um dos pioneiros da ecologia.


Fonte:  http://humanityy.com/ uma organização preocupada com ecologia, bem estar animal e solidariedade humana, conteúdo em Inglês e Espanhol

21 agosto 2010

Gestão Democrática

Algumas redes municipais e estaduais de educação tem adotado um novo modelo de gestão escolar, onde a comunidade escolar elege seus gestores, neste modelo a comunidade elege o “diretor” que assume o papel de gerente da escola, já que o mesmo é responsável e responsabilizado por atingir ou não as metas, geralmente oriundas e impostas por um poder central e estratificado hierarquicamente acima dos gestores eleitos pela escola. Neste cenário a participação da comunidade se limita a “votar”. Mas será que este modelo pode ser chamado de democrático? Ou este processo seria somente para dar um “verniz” democrático, legitimando o “status quo”, criando uma falsa idéia de democracia, já que na verdade o poder de decisão e intervenção no processo continua fora da escola e da comunidade.
Este modo de gerir baseado no “gerencialismo” cria uma nova autoridade legitimada em um processo neoliberal, e ratifica um modelo que vê nesta eleição, o direito de gerir despoticamente e usa este novo modo de gestão, como uma oportunidade de enraizar os seus credos de uma nova ordem social, política e econômica, usando para isto padronizações e criando métodos de avaliações que tornem possível a comparação e o controle dos resultados obtidos. Mas seria este modelo “empresarial” o mais adequado as nossas escolas? Seria correto, a escola ser um braço das empresas, ficando nossas crianças a mercê de modelos suscetíveis a ondas econômicas? E deveria a escola servir aos princípios econômicos? Seria este o desejo da comunidade em relação à escola?
Este novo modelo de “gestão” se apresenta como democrático, mas na verdade ele não permite a plena participação da comunidade escolar, já que o “gerente” tem metas e objetivos a cumprir, objetivos e metas que na maioria das vezes não foram discutidos com a comunidade escolar. Estas metas e objetivos em sua grande maioria são guiados e se baseiam por aumento de “produtividade”, massificação do indivíduo e se afasta da coletividade, impedindo o diálogo e afastando os reais interessados do processo decisório. Atendendo os princípios neoliberais, transformando os alunos em números em um modelo de formação de mão de obra.
Para que possamos realmente implantar uma gestão democrática na escola, é preciso garantir a participação dos grupos internos e externos na gestão da escola, tornando os co-responsáveis pela preparo e aplicação de um projeto pedagógico, que prime pelo ensino público de qualidade. Neste novo papel o diretor deve se afastar do modelo de administração vertical e adotar uma administração horizontal, dando voz e vez a todos os atores do processo. Somente com estas mudanças poderemos almejar uma escola realmente democrática e aberta à comunidade e seus anseios.
Referências: PARO, V. H. Gestão Democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 2001.

10 agosto 2010

Quanto custa um deputado Federal?

Quanto custa um deputado Federal? De quatro em quatro anos elegemos ou reelegemos 513 deputados federais para nos representarem em Brasília, mas quanto será que custa cada deputado? O salário de um deputado Federal é de R$ 16.512,00, e eles recebem 13º, 14º e 15º salário. Este salário é em média a renumeração paga a um gerente de uma grande empresa, considerando a importância do cargo de deputado até que seria justificável este ganho, mas o salário é somente uma parte destes custos. Cada deputado recebe R$ 60.000,00 mensais como “verba de gabinete” podendo pagar com esta verba até 25 assessores, além desta verba eles recebem uma “verba indenizatória” de R$ 15.000,00 para ser gasto com combustível, alugueis de salas e consultorias. Os deputados recebem ainda R$ 3.000,00 como auxilio moradia, apesar de terem direito a apartamentos funcionais, que geralmente são repassados a assessores ou familiares. Recebem também R$ 9.000,00 para usarem com passagens aéreas, mais R$ 4.000,00 para despesas com correios e contas telefônicas e R$ 1.000,00 para assinarem revistas e jornais. Para completar a farra, os deputados podem solicitar a câmara reembolso ilimitados com gastos em saúde, deles e seus familiares, em 2009 estes reembolsos foram em média de R$ 8.000,00 por deputado. E o grande detalhe é que o que não se gastar em um dos itens, a verba pode ser remanejado para outro. Bom, se os gastos acima fizessem que os deputados trabalhassem em favor da maioria do povo, ainda poderíamos aceitar estes custos em nome de uma isenção de nossos deputados perante as pressões de grupos econômicos. Mas infelizmente apesar destes custos, os nossos deputados vivem fora de sintonia com a vontade popular, como agora quando aprovaram o relatório favorável a reforma do código florestal, atendendo a vontade dos ruralistas e representantes do agronegócio. Várias organizações ligadas ao meio ambiente consideram um retrocesso o “novo” código florestal e alertam para o perigo que ele representa para os ecos sistemas brasileiros com a diminuição da área ciliar a ser preservada nos cursos d’água e com a diminuição da reserva legal, entre outras mudanças propostas que visam somente aumentar o lucro dos grandes latifundiários, sem se importar com o compromisso de preservação da natureza. Leia no site abaixo as críticas feitas pelo ambientalista brasileiro Aziz Nacib, ao novo código Florestal Brasileiro, que ainda precisa ser aprovado na Câmara e no Senado e sancionado pelo Presidente da Republica.
FONTE: ONG TRANSPARÊNCIA BRASIL

27 julho 2010

No tempo dos Coronéis.


Com certeza você já deve ter ouvido falar dos Coronéis, grandes fazendeiros que tinham grande poder político exercendo o "voto de cabresto", mas você sabe como surgiu este termo?
Durante o Império, foi criada a Guarda Nacional. Esta guarda não passava de milícias armadas, sob comando de um fazendeiro, que ganhava do Imperador uma patente de “Coronel”.
Esta foi a forma encontrada pelo império para fazer frente as rebeliões locais e confronto com escravos, que pipocavam por todo o território nacional. Após a extinção da Guarda Nacional, o hábito de chamar os fazendeiros de “Coronéis” continuou para demonstrar o poder de mando e domínio pessoal que estes latifundiários exerciam sobre os trabalhadores de sua propriedade. Durante a República Velha (1889-1930),também chamada de república dos coronéis, como o voto não era secreto o eleitor declarava Publicamente em quem estava votando, e devido o poder exercido pelos coronéis sobre a população todos sufragavam os candidatos por ele indicado, com medo das represarias que poderiam ser vitimas.
Além do voto de cabresto, os coronéis praticavam todos os tipos de fraudes para que seus candidatos fossem vitoriosos. Infelizmente em nossa época ainda podemos presenciar algumas práticas do coronelismo, como, por exemplo, a compra de votos.Por isso nesta eleição vote nos candidatos que realmente estejam compromissados com a melhoria da sociedade, e principalmente com a melhoria da educação pública.


09 julho 2010

Qualidade, o desafio da Escola pública.

Novamente a divulgação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (IDEB) causam comoção e suscitam debates sobre a qualidade da educação púbica, o IDEB integra informações do gerenciamento escolar (aprovação, reprovação e evasão), dados do Censo Escolar da Educação Básica e os resultados da Prova Brasil, que é aplicada aos estudantes ao final de cada etapa da Educação Básica. A fórmula do resultado do IDEB é um pouco complexa, mas, basicamente, pode ser resumida assim: quanto menos tempo os alunos de uma escola levam para completar determinada etapa do ensino, e quanto mais altas são as notas deles na Prova Brasil, melhor será o IDEB dessa escola. A escala vai de zero a dez. Infelizmente os resultados do IDEB para a maioria das pessoas passaram a representar um “ranking” das melhores e piores escolas, desvirtuando assim os fins para que o mesmo foi criado. A professora da UnB, Benigna Vilas Boas faz uma colocação interessante sobre esta “utilização” do IDEB, “Parece que a mesma avaliação punitiva que por tanto tempo se aplicou ao estudante passou a ser aplicada também à escola”. Quem de nós nunca se sentiu prejudicado ou desmotivado após uma nota baixa? O mesmo ocorre com a escola, pois se originalmente a idéia era que o IDEB servisse como diagnóstico de problemas e planejamento de ações para correção deles, o IDEB tornou-se mais uma ferramenta de exclusão, pois as maiorias das escolas com “notas baixas” ficam nas comunidades mais prejudicadas socialmente, sem que isso na verdade represente que estas escolas trabalharam menos que as outras, mas servindo com certeza para desestimular toda a comunidade escolar e criando mais preconceito. Para complicar mais ainda os políticos, sempre eles, já notaram que uma cidade com boas notas no IDEB rendem dividendos políticos e brevemente teremos casos de municípios que “preparam” através de “cursinhos” os alunos de sua rede para fazerem bonito na Prova Brasil, contribuindo ainda mais para desvirtuar a finalidade do IDEB.
Todos sabem que em qualidade nossas escolas públicas ainda estão longe do ideal e que é necessário que haja ferramentas para mensurar esta “qualidade”, e apesar das críticas o IDEB é uma destas ferramentas, mas devemos nos lembrar que simples comparações podem não espelhar a realidade, podendo às vezes mais prejudicar que ajudar. Uma boa ferramenta avaliadora deve dar a escola subsídios para se atingir os objetivos traçados conjuntamente, escola e comunidade, e neste cenário o conhecimento dos problemas, é um primeiro passo para a correção dos mesmos, trabalhando assim com um panorama visando uma educação de qualidade, mas não centradas somente na ótica do “conteúdo” e sim em um processo mais humanista, para formação de uma sociedade mais justa, multicultural e igualitária.

Caso queria conhecer os índices da sua região acesse o link abaixo:

http://sistemasideb.inep.gov.br/resultado/

06 junho 2010

Movimento Integracionista

 O movimento integracionista visa integrar as pessoas com necessidades especiais na sociedade, e um dos caminhos para esta integração passa pela educação, este movimento ganhou força com as lutas pelos direitos civis, pela igualdade de direitos e pela luta da inclusão de todas as crianças na escola que começaram a ganhar corpo nas ultimas décadas do século passado.Esta nova visão levou a revisão de conceitos sobre como olhar estas deficiências: Se antes a abordagem era patológica, hoje é de integração. Se era doença, hoje é necessidade especial. Se era excepcional, hoje é portador de deficiência. Se a orientação era terapêutica, hoje é educacional. Se era assistencialismo, hoje é entendido como garantia de direitos. Se era de dependência, hoje é de garantir a emancipação.
A Europa é a pioneira no movimento para integração, devido as duas ultimas grandes guerras que devastaram o continente deixando centenas de milhares de deficientes, mas há quem veja neste movimento uma questão mais  econômica que humanitária,  pois com a integração destes alunos no sistema regular não seria mais necessário a manutenção de escolas especiais, desonerando assim o Estado. Também  acusam que este novo modelo transfere para o aluno especial a responsabilidade de buscar seu preparo e adequação à sociedade, ou seja, o aluno deve se “normalizar” para ser aceito, mascarando assim os critérios de justiça e igualdade.
Um marco na luta pelos direitos  educacional das pessoas com necessidades especiais foi a Conferência Mundial de Educação Especial ocorrida em 1994 na cidade Espanhola de Salamanca onde 88 países reafirmaram seus compromissos com a educação das pessoas com necessidades especiais. Este encontro produziu a DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, documento onde os países signatários declaram seu comprometimento com a inclusão das pessoas com deficiências e determinam resoluções a serem seguidas para se obter esta inclusão. É conveniente lembra aqui, que integração e inclusão, são diferentes respostas para um mesmo problema, pois se com a integração o aluno especial deveria se “adaptar” a escola, na inclusão a escola é que deveria se adaptar para receber o aluno especial. Entretanto podemos considerar que os dois conceitos são frutos da visão desta realidade, que ainda buscam uma unidade.
A integração é um processo marcado por diferentes percepções, onde cada estudioso, cada cultura, cada sociedade, cada instituição e cada país tem uma forma de entendê-la e diferentes propostas para implantá-la
Abaixo como alguns países olham a questão da integração, é curioso verificar que sociedades tradicionalmente mais fechadas tendem a resistir a integrar os portadores de deficiências na escola regular, mostrando assim que ainda a muito que se fazer pela verdadeira integração.

Estados Unidos
Desde 1975 diversos estados americanos criaram leis garantindo o direito à educação para os portadores de deficiência, mas somente na década de 90 foi feita uma grande reforma educacional impondo a integração das pessoas com necessidades especiais no ensino regular

Inglaterra
Desde 1981 a Inglaterra tem como política a inclusão de todos portadores de deficiências no ensino regular.

Itália
Sem dúvida um dos programas mais radicais se tratando a integração dos portadores de deficiências na escola regular foi aplicado na Itália, onde simplesmente foram abolidas as escolas especiais, provocando assim o a discussão nas escolas e posteriormente em toda sociedade sobre a integração do deficiente.

Espanha
Na década de 90 a Espanha seguiu o modelo italiano, com a única diferença que a Espanha possuía um  projeto de integração gradual, organizado e racionalizado.

Suécia e Noruega
Apesar de serem países com alto índice de desenvolvimento humano, ainda mantém o deficiente segregado.

Alemanha
Possui um sistema educacional paralela para atender os portadores de deficiências, mas esta revendo sua posição devido à onda “integracionista” que varre a Europa.

Grécia
Ainda possui classes especiais, só que como preparação para a integração.

Japão
Defende as escolas especiais como forma de integração.

Link da Declaração de Salamanca na integra:
portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf 

24 maio 2010

MEC vai recomendar o fim da reprovação.

Conforme noticiou o Jornal O Globo, na sua edição do dia 23/05/2010, O MEC, através do Conselho Nacional de Educação (CNE) irá recomendar “fortemente” o fim da reprovação nas séries iniciais do ensino fundamental. Um dos principais motivos para esta recomendação é reduzir a evasão escolar nos primeiros anos da educação fundamental. Se a resolução for homologada pelo ministro Fernando Haddad entrará em vigor em 2011. Como quase tudo que se refere à educação não existe um consenso sobre a proposta, uns a consideram temerária já que não ataca a questão da “qualidade do ensino”, já os favoráveis à resolução dizem que a reprovação é o maior motivo da evasão escolar.
Para as pessoas em geral o termo “aprovação automática” vem carregado de uma simbologia que transparece uma valorização da lei do menor esforço. Acredito que a grande confusão esta no entendimento que a aprovação automática seria um mecanismo que o aluno vai sendo promovido independente de ser submetido a um processo de avaliação. Mas na verdade nada é mais enganador que essa percepção, acho que faltam esclarecimentos para a comunidade escolar e para a sociedade de que forma ocorre essa progressão continuada, pois como toda criança é capaz de aprender desde que lhe sejam dadas às condições, a progressão continuada pressupõem avaliar a criança em um processo continuo possibilitando a recuperação contínua e possibilita a adoção de novas estratégias pedagógicas, favorecendo assim a correção das práticas educacionais. Logicamente seria uma mudança muito grande na forma de “dar aula” e avaliar, por isso a progressão automática enfrenta resistência dentro e fora da escola.
Outra questão é que a divisão em séries, vigente na maioria das escolas, não seria a mais adequada para se trabalhar a progressão continuada, que teria melhores resultados com uma organização em ciclos. Agora quanto à qualidade do ensino, se seguirmos pela linha de raciocínio que poder aprovar ou reprovar o aluno seria parâmetro de qualidade, acredito que já deveríamos ter um ensino publico de excelência, já que este sistema perdura no pais a pelo menos um século. A reprovação nas séries iniciais, principalmente nas classes menos favorecidas, levam os pais a tirarem as crianças da escola achando que os filhos “não dão prá esse negócio de estudar”, contribuindo assim a escola para um sistema que pune e exclui os menos favorecidos.

20 maio 2010

Quem tem medo das cotas raciais?

Um debate que sempre é caloroso é a questão das cotas raciais para as universidades, este debate que divide a sociedade, e que teve como penúltimo ato o discurso proferido em Março deste ano pelo Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), durante sessão do Senado, onde o mesmo co-responsabiliza os negros pela escravidão colocando no mesmo balaio várias falácias, tais como “estupros consentidos”, ”economia africana”, etc. Em uma demonstração explicita de que lado ele e seu partido se encontram.
Um dos principais argumentos contra as cotas raciais é sobre a sua inconstitucionalidade, pois ela feriria o principio de igualdade entre todos, já o principal argumento a favor é que os negros em razão de um processo histórico excludente teriam maior dificuldade para aproveitarem as oportunidades do mercado de trabalho, bem como seriam vítimas de discriminações em sua vida social, e por isso necessitariam de uma política afirmativa. Mas qual quadro a realidade nos mostra? Será que realmente os negros sofreram ou sofrem algum tipo de processo histórico depreciativo? Quando a abolição da escravatura finalmente foi feita, não houve nenhum programa de ajuda aos recém libertos, ficando o negro em uma situação de total desamparo e com a política de europeizar e embranquecer a população Brasileira iniciada no império e continuada pela Republica, e neste novo cenário econômico os imigrantes europeus ocuparam o lugar dos escravos na cadeia produtiva, só que como assalariados, além da mão de obra européia ser possuidora de conhecimentos técnicos, fato que deixava a mão de obra dos negros em desvantagem. No fim do século XIX e inicio do século XX, se para o branco pobre não havia escolas e possibilidades de ascensão social, imagine para os ex-escravos e seus descendentes. Havia também a questão que os empregadores viam os negros como ainda escravos afinal quatrocentos anos de escravidão não iriam acabar com uma penada, e os tratava como tais. Esta situação só veio a ser amenizada com a consolidação das leis trabalhista no Estado novo. Durante o século XX os negros de um modo geral sempre ficaram na rabeira dos processos econômicos, sejam por questões estruturais sejam por questões nitidamente raciais. Outra critica que se faz ao sistema de cotas, é que alunos “despreparados” ocupariam as vagas do mais “preparados”, quem faz esta afirmação desconhece o processo seletivo adotado pela maioria das universidades. Nesta seleção os alunos cotistas, ou não, devem atingir um numero mínimo de acertos, só nesta etapa já são eliminados 40% dos não cotistas¹ e 58% dos cotistas², eliminando assim, os “despreparados”, e os alunos que se declaram negros disputam somente as vagas destinadas aos candidatos cotistas.

Durante estes longos séculos de escravidão várias foram às formas de resistência do negro, e hoje já existe um consenso entre os militantes do movimento negro e simpatizantes da causa, que a forma mais eficaz de combater o abismo sócio cultural entre brancos e negros no Brasil é pelos caminhos da educação e políticas de ações afirmativas, como a de cotas nas universidades publica. O interessante é notar que os tambores rufam contra esta política de cotas, sem que as maiorias das pessoas tentem ao menos conhecer os motivos e como é feita esta seleção de cotistas. Quanto ao principio de igualdade, dados estatísticos mostram que “os iguais” não seriam tão “iguais” pois em todos os indicadores socioeconômicos os negros estão em condições inferiores, inclusive em relação aos chamados “brancos pobres”. O sistema de cotas raciais não é perfeito, mas acredito que seja um dos caminhos para se alcançar uma sociedade mais justa e quem sabe em um futuro, que espero não tão distante, não precisemos mais deste sistema para garantir o multiculturalismo em nosso ambiente universitário.

1- 2 - Conforme site da UNB (universidade Nacional de Brasília)

17 maio 2010

Cidadão Kane

Um dos melhores filmes de todos os tempos Cidadão Kane, do mitológico Diretor Orson Wells, se inicia com a cena da morte do protagonista quando ele deixa cair um snowglobe e pronuncia a fatídica palavra: rosebuld. Muitas são as teses levantadas nestes quase 70 anos do lançamento da película sobre o significado desta cena, a minha tese favorita é a que exponho adiante: O filme mostra a vida do personagem principal Charles Foster Kane, que rico e poderoso morre sem ter o que mais queria ter tido, a infância.
Bem, o que o levou a perda da infância só vocês vendo o filme. Eu quero pegar este gancho e falar dos Charles Foster Kane do nosso dia a dia, não tão ricos e poderosos, mas igualmente órfãos de sua infância. Na nossa sociedade atual, principalmente na classe média e alta, é cada dia mais comum às crianças estarem abarrotadas de “compromissos” já na mais tenra idade, são aulas de balé, natação, inglês, e o que mais os pais conseguirem imaginar. Alguns profissionais já notaram o aumento de atendimentos em seus consultórios de crianças estressadas e com alto grau de irritabilidade devido ao excesso de atividades extracurriculares. Todos os psicopedagogos reconhecem que o mais importante para a criança é brincar, e em segundo lugar vem à educação formal. Não estamos querendo dizer aqui que as crianças não possam ter atividades diversas, o que os especialistas recomendam é que as crianças devem ter um tempo para brincar, ou seja, poder exercitar o lúdico. Outra recomendação feita pelos especialistas é que os pais participem da vida das crianças, reservando um tempo para atividades com os filhos. E o mais importante: não descarregue suas frustrações no seu filho, não é porque você gostaria de ter sido musico que você irá obrigar o seu filho a estudar musica, a escolha deve ser da criança, aos pais cabe propiciar a oportunidade de escolha. Não existe nada mais frustrante que ser obrigado a fazer uma atividade que a criança não goste ou não tenha aptidão. Adotando estes cuidados evitaremos criarmos os nossos cidadãos Kanes.
Ps. Se você não ainda não viu o filme, vale à pena dar uma olhada.

10 maio 2010

Lobo em pele de cordeiro

Desde a década de 40, organismo internacionais já ditavam as normas que nosso pais deveria seguir para se “desenvolver”. Nos anos 70, o que ficava confinado aos aspectos financeiros começou a ditar também os trâmites de nossa política, é interessante conhecer algumas posições de um dos principais organismo internacionais, o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, mais conhecido como BIRD ou Banco Mundial sobre como deveria ser a educação nos paises em desenvolvimento, incluindo o Brasil, como podemos observar o pensamento neoliberal já mostrava suas garras...

“(...) O Banco pode trabalhar e trabalha satisfatoriamente com países de todas as feições do espectro político, com a única condição que estejam dispostos a serem realistas em matéria de economia e que tenham o cuidado de não substituir os dados com doutrinas ou os fatos com filosofias". (BIRD, 1981, p.17, tradução).

“(...) A educação formal é geralmente considerada como um passaporte para o setor moderno (...) de sorte que muitos alunos são supereducados para os empregos disponíveis. (...) Sugeriu-se, num estudo recente, que os jovens deveriam escolher modalidades de educação que se dirijam ao mercado e não às aspirações pouco realistas e as carreiras mais brilhantes". (BIRD, 1980- a, p. 9 e 46, tradução).

“(...) em razão dos seus vínculos com o trabalho, à educação levanta questões sobre a formação de hábitos e atitudes favoráveis à produtividade do trabalhador. O meio profissional, com suas relações sociais e suas exigências - relações de subordinação e existência de uma hierarquia, relações entre mão-de-obra e direção, obrigação de respeitar os horários de trabalho e, simplesmente, a fadiga física e intelectual - pode ser muito diferente do ambiente escolar". (BIRD, 1980, p.46, tradução).

Fonte: Revista da Faculdade de Educação JAN/JUL-1998

A arte contemporânea e a escola.

Em 1917, Marcel Duchamps com sua obra "A fonte" lançou novos rumos e questionamentos sobre a arte. Rompendo com todos os conceitos e estigmas a muito enraizados, tal qual um revolucionário ele nos libertou da estética clássica e como toda revolução, ela ainda é incompreendida e discutida. Neste novo olhar, a arte e a vida se misturam não existe mais a arte que se explica, tudo é mutável. A estética do belo = arte já não cabe mais, nada é tão simplista. O próprio conceito de Arte Contemporânea é algo que ainda está sendo formulado, porém existe no mundo inteiro um sistema das artes que utiliza a expressão “Arte Contemporânea” para parte significativa da produção artística de nosso tempo.
Neste novo mundo qual o papel da arte Contemporânea na escola? A Arte Contemporânea trabalhada na escola propicia situações diversas de ensino: provoca o olhar do aluno, tem a capacidade de gerar discussões e confronto de idéias que só vêm a contribuir para sua cultura e senso estético, e ainda, é uma realidade mais próxima dos alunos, pois esta arte esta sendo "feita" aqui e agora dentro do nosso tempo, preparando pessoas para se apropriar da arte contemporânea e do fazer arte contemporânea.
Ao se trabalhar com a arte contemporânea o professor tem uma oportunidade única de mexer com conceitos pré-estabelecidos, levando a uma mudança de postura no educando, pois a "arte" estática e contemplativa deixa de existir, o aluno passa a perceber que a arte é interativa e esta no cotidiano, onde o aproveitamento de materiais e temáticas mundanas possam e devam serem usadas no laborar artístico, fazendo assim uma ponte entre a arte e a vida, construindo assim uma sociedade plural e multicultural que saiba lidar com as diferenças como em uma verdadeira democracia.
Fonte: NARDIN & FERRARO - Arte visual na contemporaneidade: marcando presença na escola – Papirus, 2001.

TATIT – 300 propostas de artes visuais – Loyola, 2004.