27 dezembro 2010

Mudanças

   O autor do livro "Guia do Mochileiro das Galáxias", Douglas Adams, fez o comentário abaixo sobre as mudanças que cada vez ocorrem mais depressa em  nossas vidas, cuja tradução livre é mais ou menos assim:
“Tudo o que já existia no mundo antes de nascermos é absolutamente normal; tudo o que surge enquanto somos jovens é uma oportunidade e, com sorte, pode até ser uma carreira a seguir; mas o que aparece depois dos 30 é anormal, o fim do mundo como conhecemos... até que tenha estado aí por uma década, quando começa a parecer normal”.
Fomos criados para desconfiar do novo e  ter cuidado com as mudanças, e sem dúvida uma das maiores mudanças e que talvez a mais levante suspeitas e nos assuste seja a familiaridade com que nossos crianças navegam na web. Hoje nos assustamos quando vemos nossas crianças usando a internet com um desembaraço assombroso, pois quando tivemos nosso primeiro contato com a internet, lá pelo fim da década de noventa, a tratamos com cerimônia era só para se fazer “coisas sérias”, trabalhar, fazer transações bancárias,etc.  Mas a internet é muito mais que isso, a internet é o mundo, é a maior biblioteca de todos os tempos, onde a troca de informações chega a um patamar nunca imaginado pelo homem. Hoje é impossível pensar no mundo sem internet, ela nos informa, nos distrai, leva o mundo para dentro de nossas casas. Uns a acusavam de impessoal, e de estar criando uma geração que não convivem com seus semelhantes, mas como manter esta posição com milhões de pessoas conectadas em uma rede social que se espalha pelo mundo, propiciando o relacionamento das pessoas em diferentes culturas, etnias e interesses? As pessoas, inclusive nossas crianças, usam a rede como uma extensão de sua convivência social seja na escola, no trabalho, na família, e por ai vai.
Nosso futuro e de nossas crianças é estar online, e aquele que ignorar esta nova realidade estará fadado a “não existência.” Este novo futuro terá com protagonistas nossas crianças, nas múltiplas formas com constroem e consolidam seus mundos e suas relações, ninguém mais será uma ilha. E o único caminho que podemos trilhar como pais e educadores é mergulharmos nesta nova realidade para que possamos ser agentes ativos e bem intencionados na construção destes novos tempos, ensinando nossos crianças regras básicas para se proteger no cyber espaço  interagindo assim com nossas crianças neste mundo virtual, que afinal se torna cada dia mais presente.

08 dezembro 2010

Os contos de fadas no século XXI

Irmãos Grimm
Quando crianças muitos de nós nos divertimos com os contos de fadas, estas histórias fazem parte de nossas lembranças afetivas, mas qual será o motivo da longevidade destes tipos de histórias, que sobrevivem e encantam os pequenos até hoje em diferentes tipos de mídias? Os contos de fadas narram aventuras, que mostram o enfretamento do bem contra o mal, onde o herói tem sempre uma missão a cumprir e estão carregados de simbologias, que representam também nossos medos e escolhas, e por terem sempre como cenários um tempo e local imemorial e maravilhoso, servem às vezes de escape a nossa dura realidade.
Os contos de fadas têm origens nas tradições e mitos Celtas e foram transmitidos oralmente gerações após gerações até o século XVII, quando começaram a serem transcritos pelos irmãos Grimm, entre outros, e adaptados as novas realidades sociais, se espalhando pelo mundo principalmente no ocidente, chegando aos nossos dias com plena significância e vigor.
Em meados do século XX, vários autores começaram a fazer uma releitura destes contos, criando contos de fadas modernos, que continuam mantendo em sua essência estes enfrentamentos (o bem contra o mal) e seus símbolos e preenchendo a necessidade do ser humano, principalmente das crianças, de compreender e lidar com suas angustias e buscas.
Mas mesmo mantendo como base os valores morais dos antigos contos de fadas, os contos de fadas modernos se dão a liberdade de trabalhar com arquétipos mais contemporâneos, ainda que mantenham as características de mocinhos e vilões.
Outra característica dos contos de fadas, é que se no passado, estes contos nos levavam a reflexões sobre o bem comum, os contos de fadas modernos nos levam a refletir também sobre a importância da individualidade. Outra característica é que geralmente as crianças têm o primeiro contato com a literatura mais elaborada através destes contos.
Os contos de fadas fazem parte de nossa herança coletiva, e nos mostram valores compartilhados por todos os seres humanos, assim podemos afirmar que os contos de fadas irão se perpetuar no imaginário popular, se adaptando a convenções sociais e diferentes mídias de cada tempo, mas sempre mantendo seu encantamento que perdura ao longo dos séculos.

Fonte: Literatura na Formação do Leitor - Volume2 -CAPELLO, Cláudia.  Rio de Janeiro - Fundação CECIERJ, 2010

25 novembro 2010

Os Livros e seus destinos

Na semana passada, chegou as minhas mãos um exemplar do livro
“Quadribol através dos Séculos” de J.K. Rowling, autora da saga Harry Porter. O livro, que trata do esporte fictício praticados pelos Bruxos, teve sua renda revertida para a organização humanitária Comic Relief que trabalha contra a fome e a miséria, principalmente na África. No prefácio do livro uma frase me chamou a atenção, o grifo é meu:
“... Madame Prince, nossa bibliotecária, me informa que o livro é manuseado, babado e de um modo geral maltratado diariamente, o que é um enorme elogio para qualquer livro.”
Que grande verdade, um livro na estante enfeitando a sala ou uma biblioteca, sem uma orelha, sem um vinco, sem uma marca de dedo não é um livro, é um objeto de decoração e às vezes decoração de nossa própria vaidade. Os livros desejam e precisam ser manuseados, marcados, grifados, passados de mãos em mãos, conterem anotações, abandonados e retomados, passados a frente,irem parar em um sebo, lidos, relidos, amados, odiados, doados, trocados, emprestados (geralmente para nunca mais voltarem), e se tudo isto decretar a “morte” de um livro, ele pode “descansar” em paz, pois terá cumprido o seu papel de nos emocionar em cada página lida, e com certeza seus “irmãos” que reluzem nas prateleiras como troféus sem nunca serem tocados, o invejarão.
Citação: ROWLING, J.K . Quadribol através dos séculos, Rocco, 2001
Para conhecer a organização COMIC RELIEF acesse o site abaixo (em Inglês)

19 novembro 2010

Zumbi dos Palmares

Neste Sábado 20 de Novembro, o movimento negro reverência aquele que talvez seja o seu maior herói: Zumbi dos Palmares. Neste dia em 1695 morreu Zumbi, o ultimo líder do Quilombo de Palmares em Alagoas. Símbolo da resistência negra contra a escravidão, criado por padres, aos 15 anos foge para Palmares onde vira líder militar do Quilombo que era governado por seu tio Ganga Zumba. Após o assassinato do tio, Zumbi assume o governo do Quilombo e lidera a luta contra os portugueses, que dura 14 anos, até ser morto por traição em uma emboscada. O movimento negro adotou a dia 20 de Novembro como dia da consciência negra, que é comemorado no País inteiro.   Abaixo a parte VI do poema de Castro Alves, Navio Negreiro.
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio.  Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!... 
Click aqui e veja o Poema Navio Negreiro na integra

13 novembro 2010

EJA e a inclusão social.

Estudos mostram que no Brasil alunos pobres e alunos negros (situação que na grande maioria das vezes caminham, infelizmente, juntas) são levados a abandonar a escola prematuramente, e não por acaso a taxa de analfabetismo é dez vezes maior entre as famílias de baixa renda (até um salário mínimo) se comparada à famílias com renda acima de dez salários mínimos. E uma das conseqüências disto é que a taxa de analfabetismo entre negros e pardos é duas vezes maior que a encontrada entre brancos. Vários são os fatores que contribuem para o quadro citado acima, e o principal efeito desta situação e a imobilidade social causada pelo analfabetismo e baixa escolaridade das classes menos favorecidas e se houveram avanços nestes últimos anos, estes avanços não estão ocorrendo na velocidade desejada.
Existe uma urgência de iniciativas por parte do poder público e da sociedade, no sentido de promover a alfabetização de cerca de 17 milhões de brasileiros e a continuidade da escolarização de cerca de 30 milhões de homens e mulheres, jovens e adultos, que se encontram na categoria de analfabetos funcionais. Pois o analfabetismo e a baixa escolaridade deste segmento da população são os principais empecilhos para os mesmos possam alcançar melhores salários no mercado de trabalho e ascender socialmente, quebrando o círculo vicioso da pobreza.Quanto a esta realidade, estudos realizados pelos economistas Fernando Velloso e Sergio Ferreira, publicados pelo Jornal do Brasil em 2004, mas que infelizmente continuam atuais, mostram que são muito pequenas as chances das classes populares romperem este paradigma:
(...) Quanto menor o salário de um trabalhador, maior a chance de adulto, seu filho limitar-se a um contracheque do mesmo tamanho. Herdeiro de quem ganha até R$ 246 por mês tem 35% de possibilidade de continuar na mesma faixa de renda e apenas 7% de conseguir ganhar mais de R$ 1.383 (p. 17).
Uma das principais soluções para alfabetizar e proporcionar a continuidade da escolaridade das camadas populares e a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). A EJA é destinada ás pessoas que por um motivo ou outro não seguiram o ensino regular na idade apropriada, esta modalidade educacional pode ser oferecida no espaço formal (escola), no ambiente de trabalho e nos movimentos sociais (sindicatos, associações de moradores, Igrejas, assentamentos rurais, etc).Conforme o parecer 11/2000 do Conselho Nacional de Educação, emitido pelo professor Jamil Cury, a EJA tem a função reparadora:
“Desse modo, a função reparadora da EJA, no limite, significa não só a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração de um direito negado: o direito a uma escola de qualidade mas também o reconhecimento daquela dignidade *ontológico de todo e qualquer ser humano” (BRASIL, MEC, 2000, p. 6).
A implantação do EJA, com qualidade tanto no ensino fundamental como médio, pode e deve ser visto como uma possibilidade de reparação de uma injustiça para com as classes menos favorecidas. Além do mais, e talvez o mais importante, leitura, escrita e educação formal são elementos indispensáveis para a plena cidadania, fazendo parte dos direitos de todo cidadãos.
*ONTOLÓGICO Vem de ontologia, parte da Metafísica que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais.