26 março 2013

A revolução pelo grafite.

Banksy é um anônimo que usa o grafite para deixar suas mensagens irreverentes e críticas em paredes e muros das mais variadas cidades do mundo, de Londres a Istambul, pregando a revolução pela arte: 
 "Ao contrário do que dizem por aí, o grafite não é a mais baixa forma de arte. Embora seja necessário se esgueirar pela noite e mentir para a mãe, grafitar é, na verdade, uma das mais honestas formas de arte disponíveis. Não existe elitismo ou badalação, o grafite fica exposto nos melhores muros e paredes que a cidade tem a oferecer e ninguém fica de fora por causa do preço do ingresso. Um muro sempre foi o melhor lugar para divulgar seu trabalho.
        As pessoas que mandam nas cidades não entendem o grafite porque acham que nada tem o direito de existir se não gerar lucro, o que torna a opinião delas desprezível.Essas pessoas dizem que o grafite assusta o público e é um símbolo do declínio da sociedade. O perigo, porém, só existe na cabeça de três tipos de indivíduos: políticos, publicitários e grafiteiros.Quem realmente desfigura nossos bairros são as empresas que rabiscam slogans gigantes em prédios e ônibus tentando fazer com que nos sintamos inadequados se não comprarmos seus produtos. Elas acreditam ter o direito de gritar sua mensagem na cara de todo mundo em qualquer superfície disponível, sem que ninguém tenha o direito de resposta.Bem, elas começaram a briga e a parede é a arma escolhida para revidar.
      Algumas pessoas se tornam policiais porque querem fazer do mundo um lugar melhor. Algumas pessoas se tornam vândalos porque querem fazer do mundo um lugar visualmentee melhor." 
( Banksy, grafiteiro)
Fonte: GUERRA E SPRAY, editora Intrínseca, 2012.

19 maio 2012

FLIP - 2012

       Neste ano a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que ocorrera no mês de Julho, completa 10 anos e para comemorar, a festa será dedicado ao poeta Carlos Drummond de Andrade. Entre as presenças de autores teremos nomes consagrados, como Luís Fernando Veríssimo, Antônio Cícero e Silviano Santiago que irão falar sobre o homenageado. Teremos também a presença do escritor Libanês Amin Maalouf, autor entre outros do romance: século primeiro depois de Beatriz, entre as presenças confirmadas consta o Colombiano Juan Gabriel Vásquez, autor do premiadíssimo Historia secreta de Costaguana. Outro que se fará presente é o poeta Ali Ahmad Said Esber, que é considerado um dos maiores expoente da poesia árabe e que escreve sob o pseudônimo: Sírio Adônis. Uma das presenças estrangeiras mais festejadas promete ser a do romancista franco-mauriciano Jean-Marie Gustave Le Clézio ganhador do Nobel de 2008. Representando a literatura espanhola teremos a presença do ensaísta Javier Cercas e Enrique Vila-Matas.
       Uma presença que promete causar frisson é a do consagrado romancista norte americano Jonathan Franzen, autor do Aclamado romance, Liberdade – considerado por muitos com a primeira grande obra literária do século XXI, e encerrando a lista de estrangeiros com presenças já confirmadas teremos o romancista britânico Ian McEwan, dono de uma vasta obra literária, onde os mais conhecidos são: O jardim de cimento e Cães negros. Além dos autores brasileiros já citados teremos também a presença do jovem escritor mineiro Carlos de Brito e Mello autor do romance A passagem tensa dos corpos, bem como a presença do romancista gaúcho Altair Martins e do contista paulista João Anzanello Carrascoza.

26 fevereiro 2012

Combatendo o preconceito – Escola Inclusiva


O Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa define preconceito como conceito antecipado e sem fundamento razoável; opinião formada sem ponderação; superstição; convencionalismo.

       O preconceito é tão velho quanto a humanidade e, por essa razão é, tão difícil de ser erradicado. Qualquer grupo social pode ser alvo do preconceito. Ele é constituído por três elementos: primeiro, sua base cognitiva – os estereótipos; segundo, seu componente afetivo – os sentimentos negativos em relação a um grupo; e o terceiro componente é o comportamental – as ações e atitudes.
O psicólogo norte americano Gordon Allport, ficou mundialmente conhecido por seus estudos sobre a teoria da personalidade e defendia que o melhor jeito de se combater o preconceito era através do contato entre os diferentes. Allport definiu o preconceito como uma atitude negativa em relação a um grupo, uma atitude hostil contra um indivíduo ou grupo, simplesmente porque ele pertenceria a um grupo socialmente prejudicado, e pregava o caráter tolerante como contrário ao preconceito.Já a escritora Húngara Agnes Heller alega que o preconceito é um produto das classes dominantes, pois essas classes desejam manter a coesão de uma estrutura que as beneficia, impedindo assim que os indivíduos/grupos vítimas de preconceito vejam suas alternativas de ascensão reduzidas.
Na visão de Heller os homens são responsáveis por seus preconceitos e que quando optamos pelo preconceito estamos optando pelo caminho mais fácil, e para se libertar do preconceito o ser humano deve correr riscos, e não se prender ao censo comum, ao conhecido, é preciso correr o risco de errar, de pensarmos individualmente, de reconquistarmos a liberdade de escolha, de abandonarmos a tranquilidade do coletivo.
Mesmo com posições divergentes ambos pensadores convergem em uma ideia: são necessárias ações para se combater o preconceito. No campo educacional uma das ações adotadas contra o preconceito em relação as pessoas com deficiência chama-se: escola inclusiva, nesta perspectiva a educação inclusiva perpassa todos os níveis de ensino e visa garantir a todos, sem exceção, o acesso aos conteúdos básicos, o direito a uma vida digna e o pleno exercício da cidadania. Mas o que torna uma escola inclusiva? Vejamos o que diz o MEC.
“A escola inclusiva é aquela que conhece cada aluno, respeita suas potencialidades e necessidades, e a elas responde, com qualidade pedagógica.”
Programa Educação Inclusiva, Volume3 –p8 – MEC – Brasília, 2004

A educação inclusiva reconhece e valoriza as características individuais no processo de construção do conhecimento de cada aluno. Esta concepção enfatiza as possibilidades de desenvolvimento acadêmico e sucesso escolar, combatendo os estigmas e preconceitos promovendo a inclusão de todos no mundo acadêmico e social. Sobre inclusão a educadora MANTOAN (1997) nos diz:
“[...] inclusão questiona não somente as políticas e a organização da Educação Especial e regular, mas também o conceito de integração – mainstreaming. A noção de inclusão não é incompatível com a de integração, porém institui a inserção de uma forma mais radical,completa e sistemática”
Com a escola inclusiva todos ganham. As crianças percebem como é importante respeitar e observar as necessidades do outro. As crianças crescem e se transformam trabalhando as diferenças, trabalho que ajuda na construção de um mundo apto a acolher o outro como outro, um mundo de homens capazes de deixar que o outro seja diferente de mim tal como sou diferente do outro.
Fontes: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/experienciaseducacionaisinclusivas.pdf
HERCULANO, Claudia Vieira de Castro, Tópicos em Educação Especial – Volume2, CEDERJ – RJ


MANTOAN, Maria Teresa Eglér. A Integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon. Editora SENAC, 1997.

17 janeiro 2012

Parque Estadual Marinho do Aventureiro e os Caiçaras – uma difícil relação

As comunidades Caiçaras habitavam as praias do litoral sul do estado do Rio de Janeiro ao litoral norte do Paraná e tinham como principais características o fato de viverem da pesca e da agricultura familiar. Durante a década de 70 do século passado, este grupo sofreu forte pressão, tendo quase desaparecido. Neste período os caiçaras viram a destruição do seu modo de vida seja pela grilagem de suas terras por grandes empreendimentos imobiliário-hoteleiros, seja pelo apelo do “milagre” econômico, que fez que muitos abandonassem seus meios de vida, ou pela pura e simples negação do direito de acesso ao mar. Nas ultimas décadas do século XX e no inicio do século XXI, mais uma questão vem se somar a já problemática questão fundiárias das comunidades caiçaras: a preservação ambiental.
Uma situação emblemática desta nova realidade é o imbróglio envolvendo os moradores da Praia do Aventureiro, na Ilha Grande em Angra dos Reis, e as autoridades, no que diz respeito à preservação ambiental. De um lado os moradores, querendo garantir o direito à terra, de onde tiram seu sustento há pelo menos três gerações. Do outro lado as autoridades conservacionistas, que no ideal de preservar o meio ambiente acabaram colocando a sociedade em oposição à comunidade. Gerando assim diversos conflitos.
O relato abaixo  foi baseado em trabalhos apresentados por cientistas sociais e nas experiências da jornalista Roselaine Pinto que teve a oportunidade de acompanhar alguns desdobramentos da transformação da Praia do Aventureiro em Reserva Biológica.
Em 1981, sem consultar as pessoas diretamente atingidas, o governo do estado do Rio criou a Reserva Biológica da Praia do Sul, e em 1991 o Parque Estadual Marinho do Aventureiro, na mesma região da Ilha Grande, que proíbem respectivamente a presença humana e a pesca nesses locais. No entanto, 83 pessoas, divididas em 23 famílias moravam na localidade, por isso fazia parte do plano à realocação dessas famílias no continente. Mas isso nunca aconteceu de fato e os órgãos de fiscalização ambiental, neste caso a FEEMA, foram apertando as normas. Por exemplo, nesta época os caiçaras foram proibidos de praticar a agricultura de subsistência, além disso, em toda a Ilha Grande havia limitações legais quanto à pesca na costeira.
Na mesma época em que os caiçaras perdem fontes de sustento, em 1994, o Presídio Cândido Mendes, que funcionava na Praia de Dois Rios, foi desativado, isso estimulou o turismo em toda Ilha, inclusive na Praia do Aventureiro. Com o aumento de turistas na região surgiu a necessidade de se ter mais dormitórios e mais construções na localidade. A chegada dos turistas estimulou os caiçaras a permanecerem em suas terras, ao invés de migrarem para o continente em busca sustento. Vale lembrar, que ao contrário de outras regiões na Ilha Grande, a exploração do turismo no Aventureiro é familiar.
Isso reascendeu no Governo a ideia de retirar todos os moradores da Praia. O trabalho com o turismo foi caracterizado, pelo órgão de fiscalização, o como uma “descaracterização cultural” que ameaçaria a integridade da Reserva Biológica. Além disso, tinham uma visão baseada em uma divisão de classes econômicas, que pressupõe a estagnação de um grupo social como o do Aventureiro. As relações entre os órgãos fiscalizadores e a população entram em colapso, com o aumento da fiscalização. O turismo foi visto como fator de descaracterização social e destruição da natureza.
Nesse contexto, e com a entrada em cena do Ministério Público, um ambientalista pediu na justiça que os moradores do Aventureiro fossem transferidos para o continente, e que os órgãos fiscalizadores, FEEMA, Prefeitura de Angra, e IEF, fossem responsabilizadas criminalmente. O principal argumento era que a comunidade caiçara havia se descaracterizado e se tornado fator de destruição do meio ambiente. Em meio a esse conflito surge em 2000, por determinação do Ministério Público, a Associação de Moradores do Aventureiro, que insere na comunidade os valores ambientais e arregimenta defensores, como antropólogos, juristas e ONGs.
Em 2006, pressionada pelo Ministério Público, a Prefeitura de Angra dos Reis capitaneou uma grande ação de fiscalização em toda Ilha Grande e em especial na Praia do Aventureiro. Essa ação desencadeou uma reação que culminou com a criação de um Termo de Ajuste de Conduta. Esse termo definiu a capacidade de carga do Aventureiro em 560 pessoas por dia envolvendo a própria comunidade na gestão deste número e permitiu o funcionamento de 18 campings.
Hoje a intenção, ainda em tramitação é retirar o Aventureiro da Reserva Biológica da Praia do Sul e criar para o local a Reserva de Desenvolvimento Sustentável ou APA, que poderá através do turismo sustentável, conciliar proteção ambiental e desenvolvimento econômico para os moradores.
Toda a discussão sobre as consequências da criação de uma reserva biológica na praia do Aventureiro passou por discussões apaixonadas de ambientalistas, cientistas sociais e moradores, e agora caminham para o desfecho, que esperamos seja baseado na ética e no respeito aos valores das comunidades tradicionais, uma vez que acontecimentos impactantes transformam as relações do homem com o homem e do homem com a natureza. O turismo para ser praticado com ética deve seguir as diretrizes da sustentabilidade seja ambiental, sociocultural, econômica e político-institucional, conforme preconiza o Ministério do Turismo A melhor forma de se fazer isso é com a prática do ecoturismo que se diferencia das demais modalidades de turismo, pois está baseado no conhecimento do meio ambiente, na justiça social e na educação ambiental.
Fontes:
O PODER DE NOMEAR A PRAIA DO AVENTUREIRO (RJ): ESTADO, ESPECIALISTAS E POPULAÇÕES TRADICIONAIS: XV Congresso Brasileiro de Sociologia 26 a 29 de julho de 2011: Disponível em http://docs.google.com/ Acesso em 14 de out. de 2011

MEU LUGAR VIROU RESERVA BIOLÓGICA E PARAÍSO PARA TURISTAS: V Encontro Nacional das Amplas quatro a sete de outubro de 2010 Florianópolis – SC: Disponível em: http://docs.google.com/ Acesso em 14 de out. de 2011.
O SURGIMENTO DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO AVENTUREIRO, ILHA GRANDE–RJ: RECONFIGURAÇÕES DE IDENTIDADES E USOS LOCAIS DO DIREITO: Disponível em: http://docs.google.com/Acesso em 20 de out. de 2011
IMAGEM 1: Disponível em:http://ilhagrande.org/Ilha-Grande-Portal/:Acesso em 20 de out. de 2011.

29 dezembro 2011

Anantha-he, anantha-he!

Na Índia em todo final do mês de Janeiro, milhares de peregrinos se dirigem a cidade de Nova Délhi, capital do país, onde em 30 de Janeiro de 1948 foi assassinado o líder hindu Mahatma Gandhi, estes peregrinos se dirigem a uma laje de mármore negro, que marca o local do assassinato de Gandhi, levando flores, sobretudo pétalas de rosas. Esta multidão de homens, mulheres e crianças, reverenciam o grande líder com os adultos saudando: “Mahatma Gandhi”, e as crianças respondendo: “Anantha-he, anantha-he”, isto é, “Para sempre, para sempre”.
Gandhi era um pacifista, adepto da não violência, e lutava não só pela independência da Índia, mas pela união dos hindus e mulçumanos, bem como pelo fim do regime de casta que perdura na sociedade indiana.
Gandhi, falava que não possuía mensagem, sua mensagem era seu exemplo de vida, e dizia:
"Tudo o que eu faço é na busca de Deus. Anseio por ver a Deus face a face. O Deus que eu conheço se chama Verdade".
Mirando no exemplo de Gandhi, que viveu entre os mais humildes e morreu na pobreza, desejamos que nossos mandantes sejam tocados pelo exemplo de Gandhi, e trabalhem pelo bem comum da população e não em proveito próprio.
“Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição.”
Mahatma Gandhi